quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Gastrite - abordagem nutricional

A gastrite corresponde um grupo de doenças na qual a inflamação do revestimento do estômago é o sinal comum. Esta inflamação é na maioria das vezes o resultado de uma infecção promovida por uma bactéria  - o Helicobacter pylori (H. pylori), embora a lesão possa também surgir pelo uso regular de certos analgésicos ou pelo consumo excessivo de bebidas alcoólicas.
A gastrite pode ocorrer subitamente (gastrite aguda) ou pode surgir lentamente, ao longo do tempo (gastrite crónica). Em alguns casos, a gastrite pode evoluir para um estado de úlcera, aumentando o risco de desenvolvimento de cancro do estômago. Para a maioria das pessoas, no entanto, a gastrite  melhora com o tratamento adequado.

Os sintomas
A gastrite nem sempre se manifesta através de sintomas e sinais. Contudo, podem surgir náuseas (enjoos) ou vómitos, uma sensação de enfartamento após uma refeição ou dor ou sensação de estômago a queimar. Há alimentos que aliviam estes sintomas e outras podem agravá-los. A tolerância aos alimentos pode variar de pessoa para pessoa.

O tratamento
O tratamento de gastrite depende da causa específica. 
No caso da gastrite aguda, causada pelo consumo de bebidas alcoólicas ou pelo uso excessivo de anti-inflamatórios não-esteróides, ela pode ser aliviada pela interrupção do uso dessas substâncias. 
A gastrite crónica causada por uma infecção de H. pylori tem vindo a ser tratada com antibióticos, embora comecem a surgir novas evidências científicas para outro tipo de abordagem complementar, uma vez que a presença da bactéria pode promover uma atrofia crónica da mucosa do estômago e mesmo depois da sua remoção, esta mucosa merece cuidados.
Será a evidência dessa abordagem alternativa que exploraremos aqui, baseada no controlo da inflamação através de diferentes alimentos/nutrientes.

Fitoquímicos e fitonutrientes

Curcumina
Este pigmento amarelo provém do açafrão da Índia - Curcuma Longa - e possui propriedades anti-inflamatórios fortes. Estudos evidenciam que a curcumina inibe o factor nuclear induzido pelo H. pylori  e outras substâncias que causam inflamação. Além dessas acções anti-inflamatórias e anti-mutagénicas, a curcumina também mostrou efeitos anti-microbianos em ratinhos infectados com H. pylori, bem como acções de reparação da lesão gástrica induzida pelo H. pylori. Mais ainda, a curcumina inibiu a proliferação e invasão de células de cancro gástrico. No seu conjunto, os resultados destes estudos sugerem que a curcumina tem potencial como um composto antimicrobiano e um agente quimio-preventivo contra a infecção por H. pylori. 

Rebentos de brócolos


Alho

Ácidos gordos polinsaturados da série n3


Probióticos


quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Pedro Graça, por Miguel Esteves Cardoso

Surpresa, orgulho e admiração quando hoje, enquanto relaxo e navego pelo Facebook, deparo-me com um artigo de opinião de Miguel Esteves Cardoso sobre Pedro Graça! Inicialmente achei que o cansaço dos olhos e da mente não me estariam a fazer ler correctamente. Depois achei que o famoso escritor se referiria a um outro famoso, desta feita homónimo de um professor meu. Fui ler! Era mesmo ele - Pedro Graça - o Prof de Saúde Pública do 3º ano da licenciatura, que escolhi para orientador de estágio quando o término da graduação ocorria 5 anos depois das primeiras praxes. Fui recordar isto tudo e, em particular, o discurso já visionário do Prof.
Os anos passaram e a admiração manteve-se. Aproveito sempre a oportunidade para o ouvir em congressos e saio sempre surpreendida, com apresentações fora do comum. Recordo uma vez, em Aveiro, em que o discurso foi feito através de quadros abstractos. Só ele!
Mais recentemente tive o prazer de estar em reuniões na Ordem dos Nutricionistas, em que o Prof Pedro Graça falava, já na qualidade de director do PNPAS. Ouvi com deleite e pensei: este Prof é já um Sr, um grande Sr, um elevado SER, já está num nivel de ser Emílio Peres.
Ah e Miguel Esteves Cardoso menciona um livro, o qual já divulgamos aqui no blog e uma entrevista recente no Público.
Feliz por ter bons mestres inspiradores!

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Há queijos e misturas fundidas de queijos!

A alimentação para ser saudável não se resume à contagem das calorias. 
Nem mesmo quando estamos num processo de diminuição/controlo de peso!

Convém perceber de onde vêm as tais calorias. O valor calórico (ou energético) dos alimentos surge a partir da energia contida nos nutrientes que o compõem - proteínas, hidratos de carbono e lípidos. As vitaminas, minerais e água são importantíssimos para a regulação do nosso organismo, mas não contribuem com calorias/energia para o alimento onde estão presentes.
Quando consumimos um alimento na sua origem natural, como por exemplo, as frutas, os vegetais, o leite, as suas calorias derivam do somatório das calorias provenientes das proteínas, hidratos de carbono e lípidos desse mesmo alimento. Por outro lado, quando consumimos um alimento composto, isto é, feito a partir de vários alimentos, as suas calorias derivam do somatório das calorias provenientes das proteínas, hidratos de carbono e lípidos de todos os alimentos que o compõem. Ou seja, podemos ter dois alimentos diferentes com as mesmas calorias que têm origem em ingredientes diferentes. Apesar do valor calórico ser o mesmo, parecido ou até inferior, isso não significa que sejam ambos saudáveis, considerando a origem de cada ingrediente.

Tomemos como exemplo os queijos. 
Dois queijos diferentes podem ter calorias diferentes e o que tem menos calorias não ser necessariamente mais saudável.

O queijo é o produto fresco ou curado, de consistência variável, obtido por coagulação e dessoramento do leite (...), e também da nata, do leiteilho, bem como da mistura de alguns ou todos estes produtos, incluindo o lactossoro, sem ou com a adição de outros géneros alimentícios. ( Portaria 73/90de 1 de fevereiro, Diário da República).

Ora, mas se estamos a falar de queijo fundido, a definição é outra e vem na mesma Portaria. O queijo fundido é o produto obtido da moenda ou mistura de um ou vários tipos de queijo, seguidas da fusão e emulsionamento, sob a acção de calor e aditivos emulsionantes, sem ou com a adição de outros géneros alimentícios.

Espreitemos então os dois exemplos!

         O quejo mini babybel                                       O queijo fundido Vaca que Ri

Que informação nutricional apresentam?

                                                  O quejo mini babybel                                                 

Valor nutricional
Por 100g
Valor energético
1253 kJ/302kcal
Lípidos
24g
Hidratos de carbono
inferior a 0,2g
Proteína
21,5g
Cálcio
670mg


O queijo fundido Vaca que Ri

Valor nutricional
Por 100g
Valor energético
890 kJ/216 kcal
Lípidos
17,5g
Hidratos de carbono
5g
Proteína
9,5g
Cálcio
320mg

Por aqui observamos um queijo com mais calorias e outro com menos e estamos a comparar a mesma quantidade de cada um - 100 g. Sendo que são as proteínas, os hidratos de carbono e as gorduras que contribuem para estas calorias totais, verificamos que as calorias do mini babybel provêm dos lípidos e das proteínas. As calorias do Vaca que Ri  provêm um pouco menos dos lípidos, algo mais dos hidratos de carbono e menos de metade das proteínas (em comparação com o mini babybel).
Como referi inicialmente, estas calorias que provêm das proteínas, dos hidratos de carbono e dos lípidos têm origem, por sua vez, nos ingredientes a partir dos quais estes alimentos compostos são elaborados. Interessa então conhecer esses ingredientes para "julgarmos" a "saúde" na origem destes 2 alimentos.
Então vejamos:

O quejo mini babybel  Ingredientes: Leite, sal e fermento láctico.

O queijo fundido Vaca que Ri Ingredientes: Leite magro rehidratado, queijos, sais de fusão (polifosfatos, citratos, difosfatos e fosfatos de sódio), manteiga e sal.

Temos assim um produto alimentar definido como queijo e outro definido como queijo fundido. O primeiro feito a partir de uma mistura de ingredientes naturais e um processo químico natural, que resulta da sua mistura. O segundo elaborado a partir da fusão e emulsionamento de ingredientes naturais, com recurso ao calor e sob a acção de aditivos alimentares.

Como nutricionista sigo uma linha naturista nas minhas recomendações.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Manteiga x Margarina

Avanço desde já que a questão não é consensual entre nutricionistas! 
Eu partilho da opinião hoje aqui exposta!

Entre vários assuntos, a dúvida entre o uso de manteiga ou margarina foi recorrente na consulta de hoje. Decidi, por isso, colocar um video bastante esclarecedor!



A Francine Lima é uma jornalista brasileira, que fez um mestrado na área da rotulagem alimentar e explica este assunto (e tantos outros) de forma muito correcta, muito divertida, muito simples e também muito bem fundamentada cientificamente! Do Campo à mesa é a sua página. Podem também subscrever o canal no youtube ou no FB. Garanto que vale a pena!

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Coaching aplicado às Ciências da Nutrição: usos, potencialidades e controvérsias - 2ª Edição

Curso de Formação Contínua

 Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação
Universidade do Porto




Destinatários
Licenciados em Ciências da Nutrição e estudantes de Ciências da Nutrição em período de estágio académico.
Formadores
Lurdes Neves
Rui Poínhos
Tânia Magalhães

Objectivos
Desenvolver o perfil do nutricionista para aplicação da metodologia de coaching no âmbito das Ciências da Nutrição;
Identificar as competências críticas, os benefícios, a ética e o profissionalismo do processo de coaching;
Identificar os perfis de clientes a quem o coaching é aplicável;
Desenvolver os conceitos estruturantes dos processos de coaching;
Aplicar os conceitos estruturantes do coaching às Ciências da Nutrição.

Calendário: 
4 e 18 de outubro (9h-15h30)
1, 15 e 29 de novembro (9h - 15h30m)
13 de dezembro (9h - 16h30m)

Inscrições (até 13 de setembro)/informações: patriciapadrao@fcna.up.pt

terça-feira, 1 de julho de 2014

Gestão Pessoal de Peso - O que é que a/o impede?!

Nas consultas de nutrição, em particular nas consultas de gestão de peso, é comum ouvir por parte das pessoas a expressão "não consigo". Eis alguns exemplos:

não consigo diminuir o peso
não consigo fazer aquilo a que me propus na última consulta
não consigo ter tempo para caminhar
não consigo comer sopa
não consigo seguir o plano alimentar proposto
não consigo...
não consigo...
não consigo...



E ouço estas expressões com respeito por quem as diz, ouço com os ouvidos, com os olhos, com o meu saber teórico e já com o instinto que a prática fez desenvolver. E sei que cada um que expressa estas manifestações de falta de auto eficácia é capaz! Sim, todos somos capazes! Há que descobrir o como fazê-lo! E o caminho para lá chegar passa por identificar primeiro a barreira que o faz (ainda) acreditar que não consegue. Consegue, pois! Vai conseguir!
Depois de ouvir, pergunto: "O que o impede de conseguir?!"

O que o impede de conseguir diminuir o peso?
O que o impede de conseguir fazer aquilo a que se propus na última consulta?
O que o impede de conseguir ter tempo para caminhar?
O que o impede de conseguir comer sopa?
O que o impede de conseguir seguir o plano alimentar proposto?
O que o impede de conseguir...
O que o impede de conseguir...
O que o impede de conseguir...

Já encontrou uma resposta?! Então já identificou uma (ou mais) barreira(s) que está a bloquear o sucesso na Gestão Pessoal de Peso.
Podemos passar ao ponto seguinte: ultrapassar essa barreira - a solução!
Qual é a sua?! Qual a sua solução? O que pode melhorar já?! Neste ponto não há fórmulas e as soluções  saudáveis podem ser várias! Qual a melhor?! A que melhor se adapta a si e à sua realidade!

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Saúde numa mão cheia de cerejas (e poucas calorias)!!

As cerejas são o meu fruto de eleição. Não sei muito bem a origem da minha escolha, já que sou gulosa por muitos outros frutos! Talvez por serem de maio, o meu mês. Talvez por serem vermelhas. Talvez por serem raras. Muito provavelmente por serem muito saudáveis também, uma vez que já não sou capaz de dissociar os gostos alimentares dos benefícios para a saúde!



As Cerejas são um fruto de elevada densidade nutricional, significando isto que em poucas calorias contribuem com vários e ricos nutrientes bioativos. São eles as antocianinas, a quercetina, o potássio, diferentes fibras, a vitamina C, os carotenóides e a melatonina. Cada um destes nutrientes tem actividades distintas no organismo, nomeadamente, antioxidante, baixa resposta glicémica e inibição enzimática, que potenciam no consumo de cereja benefícios preventivos de saúde, tais como propriedades anticancerígenas, prevenção de doenças cardiovasculares, diabetes, doenças inflamatórias (alívio da dor) e doença de Alzheimer.